Com inflação, brasileiro já está comprando menos, mas gastando mais

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Com inflação, brasileiro já está comprando menos, mas gastando mais

  Projeto estimula supermercados em doações de alimentos sobressalentesCom uma inflação que não dá trégua desde o ano passado, os preços de muitos itens básicos, como comida, conta de luz e gasolina, nunca estiveram tão altos. Isso já está levando os brasileiros a encher menos os carrinhos e a levar menos coisas para casa – embora o desembolso siga aumentando.

A tendência já começa a aparecer nos números. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, em junho, as vendas do varejo no país, em volume, caíram 1,7% na comparação com maio – uma retração forte e que surpreendeu boa parte dos economistas, que não esperavam números tão ruins para um mês em que o comércio e as principais atividades da economia já estavam em toada de reabertura.

Por outro lado, o faturamento do setor no mesmo mês, também de acordo com o IBGE, subiu, com uma alta de 1,5%. Ou seja: os consumidores compraram menos coisas, e mesmo assim gastaram mais. E isso não necessariamente significa que os lojistas estão ampliando os lucros, já que os produtos da indústria estão chegando ainda mais caros para eles também.

“É o caso clássico em que a conta no final do mês é a mesma ou maior, mas o carrinho vai ficando mais vazio”, disse Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A perspectiva para o comércio até o fim do ano ainda é positiva, porque a circulação ainda deve aumentar e ajudar as vendas. Mas isso não significa que elas vão decolar. Será como correr com uma bola de ferro no pé, porque a inflação já começa a atrapalhar e as pessoas vão colocar menos a mão no bolso

Fabio Bentes, economista da CNC

Menos comida e menos gasolina

O fenômeno ficou bem claro em dois setores básicos e também os que tiveram alguns dos maiores aumentos de preços desde o início da pandemia: os alimentos e os combustíveis.

Os gastos nos supermercados cresceram 1,1% em junho, de acordo com a pesquisa de varejo do IBGE, mas com os brasileiros tendo comprado um volume 0,5% menor em produtos deles.

Em julho, os preços dos alimentos nas prateleiras ainda estavam 16% mais caros que há um ano. Carnes, arroz e óleo de soja, alguns dos principais vilões do ano passado, seguem 34%, 40% e 84% mais caros, respectivamente, pelos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do IBGE.

Nos postos de gasolina, a distância entre o que o consumidor está pagando e o que está levando vem ficando ainda maior. Em junho, a receita subiu 0,8%, mas o total de litros comprados pelos motoristas, um consumo que vinha esboçando uma recuperação nos meses anteriores, caiu 1,2%.

Puxada pelo preço do dólar e do petróleo no mundo, a gasolina vem repetidamente sendo reajustada para cima pela sua principal fornecedora no país, a Petrobras, e, em um ano, a alta verificada pelo IPCA nos postos é de 40%.

O etanol vendido para os carros brasileiros, por sua vez, está tendo que competir com a disparada nas exportações do açúcar, extraído da mesma cana, e já sobe 57% na bomba.

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