Talibã age contra oposição no Afeganistão e caos aumenta no aeroporto de Cabul

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Talibã age contra oposição no Afeganistão e caos aumenta no aeroporto de Cabul

  Membros da Talibã patrulham Cabul após assumirem o controle da capital afegã

Membros da Talibã patrulham Cabul após assumirem o controle da capital afegã
Foto: Sayed Khodaiberdi Sadat - 16.ago.2021/Anadolu Agency via Getty Images

Talibã agiu rapidamente para acabar com a oposição inicial ao seu governo em todo o Afeganistão, entrando em confronto com os manifestantes e forçando os cidadãos a permanecer no país. Ao mesmo tempo, uma corrida frenética de pessoas que querem escapar do país se intensifica no aeroporto internacional de Cabul.

Um toque de recolher será imposto "por tempo indeterminado" em toda a cidade de Khost, no sudeste do Afeganistão, nesta quinta-feira (19), segundo fontes do Talibã relataram à CNN. A informação foi dada depois que vídeos pessoas protestando circularam nas redes sociais.

Todos os movimentos serão proibidos "enquanto as forças conjuntas do Emirado Islâmico realizam operações de limpeza" na cidade, disse uma fonte. Estima-se que cerca de 650.000 afegãos vivam nas áreas rurais e urbanas da província de Khost.

O rápido apagamento da oposição vai contra dos repetitivos discursos do Talibã de convencer a mídia internacional de que seu governo será mais contido e inclusivo do que era há duas décadas. Mas reflete a realidade em todo o país, onde abordagens igualmente severas foram tomadas.

Dia da Independência do Afeganistão

As tensões são especialmente intensificadas porque 19 de agosto é o Dia da Independência do Afeganistão, comemorando a data em que a Grã-Bretanha renunciou ao controle do país em 1919.

Afegãos invadiram as ruas de Cabul com a bandeira nacional negra, vermelha e verde para marcar a data nesta quinta-feira, desafiando o Talibã. Em alguns casos, eles removeram a bandeira branca e preta do grupo extremista.

Diversos veículos do Talibã também foram posicionados nas ruas da cidade, testemunhou uma equipe da CNN. O comboio, consistindo de duas a três caminhonetes com pelo menos seis combatentes do Talibã em cada, foram vistos circulando várias áreas da cidade com sirenes tocando.

Uma testemunha disse à CNN que o Talibã atirou para o ar para tentar interromper a procissão. Não há informações sobre possíveis feridos. Os tiros foram mais intenso do que nos dias anteriores.

Na quarta-feira (18), os militantes atiraram contra a multidão e espancaram os manifestantes em um comício em Jalalabad, onde os manifestantes retiraram a bandeira do grupo da praça principal, disseram três testemunhas à CNN.

Já nas ruas de Cabul, as mulheres que ocuparam posições de destaque nas últimas duas décadas continuam a temer por sua segurança.

Militantes do Taliban vigiam as ruas de Cabul
Militantes do Taliban vigiam as ruas de Cabul após tomada do poder no Afeganistão
Foto: MARCUS YAM / LOS ANGELES TIMES

Caos no aeroporto de Cabul

No aeroporto da capital, local das imagens de afegãos desesperados em busca de fuga, as multidões estão aumentando e moradores locais lutam para passar pelos postos de controle do Talibã e entrar nas instalações.

Imagens de mães entregando seus bebês a soldados britânicos através do arame farpado do lado de fora do aeroporto surgiram nas redes sociais nos últimos dias, destacando a terrível perspectiva de muitos afegãos que tentam deixar Cabul.

O ministro da Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, disse nesta quinta-feira (19) que eles não podem levar menores desacompanhados e que esses pais teriam que forçar seu caminho através da multidão para se reunir com seus filhos.

Ele acrescentou que tem sido "muito difícil" para as tropas "lidar com algumas pessoas desesperadas, muitas das quais estão apenas querendo deixar o país".

Wallace afirmou ainda que o Talibã estava "deixando nosso povo passar" para o centro de processamento "o que é uma boa notícia". As pessoas com quem a CNN falou, no entanto, relataram sérias dificuldades de acesso ao aeroporto, com vários dizendo que foram recusados ??apesar de terem a papelada correta.

Multidão de pessoas correm em um terminal do aeroporto Internacional de Cabul, n
Foto: Multidão de pessoas correm em um terminal do aeroporto Internacional de Cabul, no Afeganistão./Maxar Technologies

EUA não garante segurança no aeroporto

A embaixada dos EUA na cidade alertou as pessoas, na noite de quarta-feira (18), que não pode garantir uma passagem segura para o aeroporto. Os EUA evacuaram 1.800 indivíduos do Afeganistão no último dia, e um total de 6.000 desde sábado, disse a Casa Branca na quarta-feira.

O presidente Joe Biden, ainda enfrentando condenação internacional por sua postura sem remorso sobre a retirada americana e a ascensão do Talibã, sugeriu que as tropas americanas poderiam permanecer após o prazo de retirada para evacuar todos os americanos.

No entanto, ele não fez a mesma promessa para os parceiros afegãos, e os habitantes locais enfrentam uma corrida caótica para embarcar em um voo.

No total, 12 pessoas foram mortas dentro e ao redor do aeroporto desde que o Talibã assumiu o controle da capital no último domingo, segundo a Reuters, que ouviu fontes da Otan e oficiais do Talibã.

As mortes foram causadas por tiros ou correria de pessoas que tentavam entrar no aeroporto na esperança de embarcar em um voo de evacuação, informou a Reuters. A CNN não conseguiu verificar os relatórios de forma independente.

E como a partida final das forças ocidentais se aproxima, as cenas no aeroporto estão se tornando mais desordenadas. Um avião de evacuação holandês foi forçado a partir sem passageiros na quarta-feira, enquanto o principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell, lamentou que o bloco não possa resgatar todos os afegãos que buscam uma saída.

"Essas pessoas têm promovido e defendido lealmente os interesses da UE no Afeganistão ao longo de muitos anos, é nosso dever moral protegê-los e ajudar a salvar o maior número de pessoas possível", disse ele, admitindo: "Não podemos tirar todo o povo afegão do país. país."

Vasco Cotovio da CNN, Sarah Dean e Anna Coren contribuíram com a reportagem.

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