Novembro Azul: conheça cinco indicadores de que a saúde do homem não vai bem

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Novembro Azul: conheça cinco indicadores de que a saúde do homem não vai bem

 Acompanhamento médico regular permite o diagnóstico precoce de doenças que não apresentam sintomasA campanha Novembro Azul é dedicada à conscientização para a saúde integral do homem. Ainda hoje, persiste o hábito masculino de procurar atendimento médico apenas diante de uma doença, o que pode ser prejudicial à saúde.

À questão cultural, soma-se o medo do diagnóstico de uma doença, o que colocaria em xeque a crença de uma suposta invulnerabilidade. O foco no trabalho e o funcionamento dos serviços de saúde em horários que se chocam com o período do expediente também são fatores que afastam os homens dos consultórios.

 “O homem é educado e tem toda a sua formação baseada em ser forte, não sentir dor, ser arrimo de família. Estamos pagando um preço muito alto por isso. Nós vivemos em um país onde não se propaga a promoção da saúde e a prevenção. Não adianta falar sobre a saúde do homem só em novembro, é preciso falar durante o ano inteiro”, destaca Marlene Oliveira, idealizadora da campanha Novembro Azul e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que entre os principais motivos para a baixa procura masculina pelos serviços de saúde estão a representação do cuidar como tarefa feminina, as questões relacionadas ao trabalho, a dificuldade de acesso aos serviços e a falta de unidades especificamente voltadas para a saúde do homem.

“O acompanhamento clínico é muito importante por que os exames de check-up permitem o diagnóstico de doenças que não apresentam sintomas, como o câncer de próstata. Temos uma redução significativa nas consultas de rotina por conta da pandemia de Covid-19 e diagnósticos represados de doenças que poderiam ter sido evitadas”, afirmou o médico urologista Carlo Passerotti, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo.

A pesquisa nacional de saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, apontou que a proporção de mulheres (82,3%) que consultaram médico foi superior à dos homens (69,4%). De acordo com o estudo, 159,6 milhões (76,2%) de pessoas haviam se consultado com um médico, no país, nos últimos 12 meses anteriores à realização da pesquisa.

Além do acompanhamento médico regular, o conhecimento do próprio corpo também é fundamental para a identificação de possíveis alterações e sintomas de doenças, de acordo com o pesquisador e médico andrologista Jorge Hallak, professor da Faculdade de Medicina e coordenador do Grupo de Estudos em Saúde do Homem do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).

“O autoexame de testículo é muito importante, desde a puberdade, como conscientização do próprio corpo. O médico ensina como é o exame: no chuveiro, durante o banho é possível apalpar cada testículo. A mão esquerda apoia o testículo contra a superfície do escroto, e a mão direita vai palpando toda a estrutura do testículo de cima para baixo”, explica Jorge.

Segundo o médico, durante o autoexame é importante observar irregularidades, como mudanças no tamanho dos testículos, verificar a presença de nódulos (caroços) e se há algum tipo de dor diante do toque.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a cada três mortes de adultos no Brasil, duas são de homens. No Brasil, os homens vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e também apresentam mais doenças do coração, câncer, diabetes, além de níveis de colesterol e pressão arterial mais elevados, segundo a Opas.

Especialistas consultados pela CNN alertam que ignorar um sintoma físico ou mental pode trazer prejuízos para a saúde a longo prazo. O acompanhamento regular da saúde como medida de prevenção pode reduzir as chances de complicações como infartos, diabetes grave e acidente vascular cerebral (AVC).

Conheça cinco indicadores que apontam que a saúde do homem não vai bem e sugerem a necessidade de buscar atendimento especializado.

1. Dores de cabeça persistentes

Entendidas como um problema corriqueiro, as dores de cabeça tendem a ser ignoradas. Na tentativa de se livrar do incômodo, muitas pessoas optam por tomar remédios por conta própria. Os medicamentos podem aliviar o sintoma por um determinado momento. No entanto, especialistas explicam que o hábito pode apenas esconder um problema maior que precisa ser investigado mais profundamente.

O estresse e a ansiedade, por exemplo, são fatores que podem provocar as dores de cabeça. Os distúrbios afetam a qualidade do sono e atrapalham a concentração, ampliando o cansaço do corpo e da mente. Ignorar sintomas associados à saúde mental pode tornar mais difícil o tratamento de doenças como a depressão, o transtorno de ansiedade generalizada e o estresse crônico.

A origem das dores de cabeça também pode estar em doenças mais simples de tratar, como a gripe, os resfriados e a sinusite. Nesse caso, o tratamento adequado pode ser a solução, incluindo o repouso, a hidratação e o uso de medicamentos que aliviam os sintomas.

2. Falta de energia ao longo do dia

A sobrecarga de trabalho, a má alimentação e a privação do sono contribuem para o cansaço excessivo, a fadiga, e para a sensação de falta de energia para as atividades cotidianas.

Indivíduos adultos devem dormir de sete a nove horas por noite para alcançar a restauração completa do organismo. A falta de sono pode trazer prejuízos para a memória, concentração, desempenho no trabalho e no humor.

Entre as principais causas da privação do sono estão o estresse e a ansiedade, o consumo excessivo de álcool e de cafeína, além de distúrbios como a própria insônia, a apneia e a síndrome das pernas inquietas.

A baixa qualidade do sono favorece o surgimento de doenças como diabetes, obesidade, pressão alta, problemas cardíacos, além da redução da imunidade.

Atividade física regular e moderada contribui para a prevenção de doenças, dizem especialistas / Getty Images

3. Irritabilidade excessiva

De acordo com o médico endocrinologista Filippo Pedrinola, é preciso ter atenção ao diferenciar a irritação comum do dia a dia de quadros em que a irritabilidade se torna excessiva. “A irritabilidade em excesso significa algum desequilíbrio, normalmente ligado aos neurotransmissores cerebrais”, disse.

O especialista explica que a hiperatividade do sistema nervoso autônomo, com a estimulação contínua da glândula suprarrenal, pode levar ao aumento da produção de hormônios como a adrenalina e o cortisol.

“O excesso da ativação da glândula suprarrenal aumenta muito a produção dos hormônios que mexem com o humor, gera irritabilidade, piora o sono e leva à privação do sono, o que também aumenta a irritabilidade”, afirma.

Segundo o médico, o desequilíbrio hormonal geralmente está associado ao estresse crônico. Durante uma situação de estresse, o corpo aumenta a produção de hormônios específicos, como o cortisol e a adrenalina, de modo a preparar o organismo humano para reagir em defesa diante de uma ameaça, por exemplo.

No entanto, as diversas situações estressantes do cotidiano podem tornar a produção desses hormônios mais intensa, mesmo após as situações de nervosismo.

“O estresse foi feito para ser agudo, mas hoje ele se tornou crônico, e quando ele vira crônico ele também passa a ser tóxico. Essa liberação do cortisol em excesso, pode afetar a região do hipocampo, no cérebro, responsável pela memória”, explica Filippo.

4. Perda de peso repentina

A atenção à balança é um cuidado que deve fazer parte da rotina na atenção à saúde integral. A perda de peso significativa pode estar associada a diferentes problemas de saúde, incluindo alterações gastrointestinais, doenças infecciosas e inflamatórias, câncer, e disfunções hormonais.

Problemas no intestino podem prejudicar a absorção de nutrientes pelo organismo, levando ao rápido emagrecimento.

Entre os distúrbios mais comuns estão a intolerância à lactose, que consiste na incapacidade do corpo de digerir o açúcar presente no leite e em seus derivados; a doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten; doenças inflamatórias, como a síndrome do intestino irritável e a doença de Crohn (associadas a diarreia e cólica abdominal), e a retocolite ulcerativa, doença caracterizada por episódios recorrentes de inflamação.

O agravamento de outras doenças como o câncer, o diabetes e a Aids, também pode refletir em perda de peso repentina. “Os tumores podem causar perdas de peso rápidas, sendo os mais comuns os do trato gastrointestinal, principalmente do intestino”, afirma Carlo.

Problemas da glândula tireoide, responsável por regular as funções de vários órgãos, como coração, cérebro e fígado, também podem provocar a perda involuntária de peso.

O hipertireoidismo, definido como a produção excessiva de hormônios pela tireoide, pode provocar além da perda de peso, perda de apetite, fraqueza nos músculos, perda de cálcio nos ossos, além de intestino solto, nervosismo e irritação.

5. Falta de desejo sexual

Embora seja um tema difícil de ser debatido, por questões culturais, a falta de desejo sexual também é um problema comum entre os homens. Cerca de metade dos homens com mais de 40 anos apresentam queixas associadas à perda de ereção, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia.

A redução da libido está relacionada principalmente a fatores psicológicos, que vão desde os problemas no relacionamento a distúrbios como ansiedade e depressão.

“Não procurar o médico ou se automedicar acaba mascarando um quadro de ansiedade e insegurança. Muitas vezes, o gatilho para a perda de libido ou da ereção é emocional, como pensamentos automáticos e repetitivos que são negativos”, diz Filippo.

Segundo o urologista Carlo Passerotti, as causas da perda de desejo sexual também incluem o uso de medicamentos, como antidepressivos, e a baixa concentração de testosterona no sangue.

“Há uma parte hormonal por trás do desinteresse sexual que pode ser investigada. Normalmente, alterações hormonais, como a queda de testosterona e dos hormônios masculinos levam a uma falta de interesse sexual. A redução da testosterona pode estar associada a remédios, cirurgias, principalmente no testículo, além de estresse e cansaço”, disse Carlo.

A partir dos 40 anos, os homens apresentam uma diminuição gradativa da produção da testosterona pelo organismo, que dá início à andropausa. O fenômeno é diferente da menopausa, que atinge as mulheres, que leva a uma queda mais drástica dos hormônio femininos, como o estrogênio e a progesterona.

“A andropausa pode levar a diversos sintomas, como falta de desejo sexual, piora da ereção, desânimo, cansaço e perda de massa muscular”, explica. “As medidas de prevenção envolvem ter uma vida saudável. A obesidade é uma das coisas que diminuem a testosterona. Dormir bem, comer bem, fazer exercícios regularmente aumenta a testosterona”, conclui.

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